
Bacharel ANTONIO PINTO, natural de Guiné Bissau, no continente africano, colônia portuguesa. Cheguou ao Brasil em 1979. Nasceu na Guiné, que foi colônia , estudou até o primeiro ano da universidade no Senegal, país vizinho a Guiné Bissau, que foram colônias francesas, por isso sua maneira diferente de falar. Foi quando o seu país se libertou e para lá voltou . Como não falava português, teve que sair para aprender a língua. Na minha ausência, muita coisa mudou. Houve dois golpes de Estado. Tentei voltar, mas a família se reuniu, pois alguns dos meus parentes foram envolvidos nessa situação e, como minha mãe ficou traumatizada com o que estava acontecendo, eu fui ficando ausente. Passei um tempo na Europa, mas não me acostumo com o clima europeu, findei voltando para o Brasil. Em Natal, contraí matrimônio, trabalhando como advogado, quando surgiu o concurso para a Polícia Civil. O escritório em que ele trabalhava já não se sustentava por conta de desentendimento entre os sócios. Sem uma segurança financeira e com crianças para criar, fez o concurso. Naturalizado brasileiro, foi aprovado, atuou, em primeira instância, em duas delegacias da capital e, de uma hora para a outra, foiconvocado na delegacia geral, pois estava necessitando de um delegado para Mossoró. Costuma dizer que para quem vem da Guiné Bissau, Mossoró, Pau dos Ferros ou Luiz Gomes é perto. Ela existe, como em todo segmento da sociedade. No seu caso, não tinho compactuado com a corrupção. Ele até afirma que é mal visto por alguma ala que quer até o tacha de alcagüete. Se souber, denuncia. Porque acha que bachareis, hoje, na Polícia Civil, mesmo em todo o Brasil, não precisam roubar. Com bons salários. Não há como delegado tentar extorquir dinheiro de um pobre cidadão que ganha um, dois ou três salários mínimos. Mesmo que não ganhasse bem.
FONTE: JORNAL GAZETA DO OESTE